• Publicado a:

    17 Fevereiro, 2015

Convidaram-no porque tinham ouvido dizer que era uma pessoa de opiniões fortes e solução para tudo. Tinha até página no Facebook.
Quando chegou foram-no esperar à estação.
Levaram-no ao hotel.
Esperaram que se refrescasse.
Levaram-no a almoçar. Levaram-no a ver as vistas.
Levaram-no, por fim, ao salão de conferências.
O anfiteatro estava cheio.
Ao vê-lo, uma ovação.
O guru sorriu modestamente, com a modéstia própria das pessoas importantes.
Não tinha propriamente um discurso a fazer, disse, porque o mundo precisa de acções, não de palavras.
Houve um arremedo de aplauso.
A primeira pergunta veio de um jovem estudante:
Mestre, boas ou más acções?
O guru respondeu:
Todas as acções são boas.
Houve um segundo aplauso.
Um braço levantou-se:
Mestre, por que há guerras?
Porque há humanos, respondeu o guru.
Outro braço, este de uma moça bonita:
O que é o amor?
O guru arrotou:
Anda cá, filha que eu mostro-te.
A moça corou, constrangida.
Houve um vago aplauso.
Outra pergunta, de uma estudante com ar intelectual:
Mestre, como terminar com uma guerra?
Vence o teu inimigo.
Só isso?
Ou então deixa-te vencer por ele. Se for misericordioso, até é o mais prático.
Na sala ninguém bateu palmas.
Um braço no ar:
Como acabar com as guerras?
Simples. Mata os teus inimigos.
A sala ficou fria.
Ou morre, acrescentou o guru.
Como ser feliz, mestre, e deixar de ter preocupações?
Morre.
Quando levaram o guru de novo ao hotel, a dúvida geral era se não seria um impostor.
E no entanto não havia razão para isso. Quando no dia seguinte viram as soluções no jornal, verificaram que as respostas estavam todas certas.

Partilhar :
Share Button